Nova prática Nova prática

Tecnologias diminuem fronteiras sociais

Recursos inclusivos ou assistivos melhoram a qualidade de vida de pessoas com deficiência

Irene Barella, especial para LogicalisNow

FacebookTwitterLinkedIn

650milhões

de pessoas têm uma deficiência, sendo que 80% delas vivem nos países em desenvolvimento

Sempre em busca de superar limitações e obter melhor qualidade de vida, as pessoas com deficiência (PCDs) enfrentam desafios das mais diversas naturezas, mas também contam com recursos tecnológicos. O crescimento dessas ofertas, porém, estão abaixo das necessidades e ainda têm custo muito elevado. Dados divulgados pelo Centro Regional de Informação das Nações Unidas, em agosto deste ano, revelam que cerca de 10% da população mundial (650 milhões) têm uma deficiência, sendo que 80% delas vivem nos países em desenvolvimento.

A Tecnologia Assistiva (TA) enfrenta barreiras para ser popularizada. Além do valor e do pouco avanço dos recursos, existe a ideia de que este não é um grande mercado consumidor. A verdade, porém, é que existe enorme potencial a ser explorado. Inclusive, ao se criar condições ideais para acessibilidade a sites e portais B2B – iniciativas defendidas pelo Movimento Web para Todos e pelo Essential Accessibility – é certo que haverá aumento nas vendas.

O artigo 74 da Lei Brasileira de Inclusão garante acesso a serviços e condições específicas do PCD. Porém, importantes conquistas estagnaram em consequência do congelamento de investimentos públicos para saúde, educação, direitos humanos, ciência e tecnologia. “Acredito que a informação ao cidadão com deficiência é uma grande arma, que lhe dará a possibilidade de acessar os recursos e provocará as ações governamentais necessárias”, avalia Rita Bersch, diretora da Assistiva Tecnologia e Educação.

Busca de melhorias

Apesar dos desafios, ações positivas acontecem. Em setembro de 2018, foi realizado o Congresso Brasileiro de Tecnologia Assistiva, em Bauru (SP), com o objetivo de desenvolver esta área de conhecimento no País. Ao mesmo tempo, fabricantes e cientistas se dedicam ao desenvolvimento de ferramentas digitais para inserir PCDs no cotidiano do trabalho, da família, cultura e lazer. Mouses acionados por músculos oculares; software para pessoas com Down e Autismo e aplicativos que indicam locais acessíveis são exemplos conhecidos da maioria.

Ao se criar condições ideais para acessibilidade a sites e portais B2B é certo que haverá aumento nas vendas

Além desses, há inovações que vão de artefatos como bengala luminosa, passam por softwares dos simples aos mais sofisticados, indo à robótica, que avança pela Inteligência Artificial e rede neural artificial, ainda incipiente.

APPs para acessibilidade

Há evolução, mas ainda longe da ficção científica. Na França, especialistas em robótica da startup Wandercraft criaram o Atalante, um exoesqueleto que atende aos que perderam os movimentos dos membros inferiores, idosos e pacientes de doenças degenerativas graves.

Mais sofisticados e muito mais caros, robôs desenvolvidos especificamente para tanto têm a tarefa de socializar autistas. Universidades e grandes fabricantes trabalham em suas evoluções e melhorias. A LG, por exemplo, apresentou na Feira de tecnologia de Berlim 2018 a família CLOi, entre eles o exoesqueleto SuitBot. Outra fera na robótica, o cientista Hiroshi Ishiguro, da Universidade de Osaka, apresentou em agosto o ‘Ibuki’, um robô criança capaz de interagir como um ser humano.

Exoesqueleto Atalante, ajuda pessoas com paralisia nos membros inferiores a andar

Áudio Acordes é o aplicativo gratuito da Samsung Brasil que ensina cegos a tocar violão sem uso do Braille. Com várias funcionalidades, oferece um áudio-dicionário que ensina ao iniciante os primeiros acordes. O site oficial da marca no Brasil conta com o Hand Talk, para que surdos tenham acesso ao conteúdo. Já a Microsoft, por meio do AI for Accessibility, incentiva empresas a oferecer melhorias para PCDs. Além da parte financeira, a companhia promove a acessibilidade de outras formas: abriu o Azure IOT Edge Runtime, que dará aos desenvolvedores mais controle sobre como seus dispositivos podem se conectar em soluções na nuvem.

Conhecimento local

Temos também exemplos de inovação e criatividade local. O músico Reinaldo Amorim Casteluzzo, de Petrolina (PE), desenvolveu um violão que pode ser tocado com apenas uma mão. E Jonathan da Silva Santos que, com baixa visão, se decepcionou ao ver um equipamento para leitura de quase R$ 20 mil e, como a necessidade é a mãe da inovação, desenvolveu, com a ajuda de Nizam Omar, seu professor de IA da pós-graduação em Engenharia Elétrica e da Computação, da Universidade Mackenzie, o EyeFy.

Gratuito e disponível na Play Store, o aplicativo é destinado a pessoas cegas, com restrição ocular ou não alfabetizadas, e tem o processamento local, feito no próprio celular, por isso, não requer Web para ‘ouvir o texto’. “É possível ler, rapidamente, uma placa na rua”, exemplifica Santos. Basta abrir o aplicativo, apontar a câmera do smartphone na direção do que se quer ler e manter o dedo sobre a tela e retirá-lo após alguns segundos

Com a tecnologia de impressora 3D, que modela próteses de alta funcionalidade e cerca de 80% mais baratas, Lucas Santiago e Arturo Vaine ajudam pacientes que não têm mão (agenesia) a melhorar a qualidade de vida.

O projeto, totalmente nacional, foi desenvolvido pela startup Santiago Tecnologia, de Curitiba (PR).