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Diversidade nas empresas é questão de lucro

Segundo a McKinsey, empresas com mais diversidade têm até 33% mais chances de serem mais lucrativas do que as menos inclusivas

Tatiana Vaz, especial para LogicalisNow

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Ainda que sejam alguns dos maiores super-heróis do planeta, Capitão América, Thor, Hulk e Homem-Aranha lutavam separadamente nos cinemas, cada um com suas idiossincrasias e desafios – até que a Marvel decidiu reuni-los para trilhar a saga dos Vingadores. Os quatro filmes da série venceram as bilheterias de forma histórica, além de cumprir a missão de reascender o interesse de antigos aficionados pelos heróis e conquistar o público mais jovem.

A mensagem por trás da história era relativamente simples: juntos, eles teriam mais força para vencer os inimigos, graças às suas diferentes habilidades e pontos fracos. E, desta forma, a Marvel também atenderia a uma necessidade do mundo real, onde as questões ligadas à diversidade têm estado entre as personagens principais.

No universo corporativo o debate já é antigo, mas ações efetivas nem tanto. Há ainda um longo caminho a ser percorrido pelas empresas, que encaram esse combate com urgência, baseados em pesquisas que comprovam que ter equipes diversas poderiam melhorar seus resultados.

O estudo mais recente da McKinsey, que pesquisa o tema constantemente, aponta que companhias com mais diversidade têm até 33% mais chances de serem mais lucrativas do que as menos inclusivas. Para chegar a esse resultado, foi feita uma análise com 1007 empresas de 12 países, incluindo o Brasil, baseada em diversas métricas correlacionando diversidade e desempenho financeiro.

O relatório aponta ainda a importância de as companhias não apenas contratarem pessoas com perfis diversos, mas conduzirem iniciativas internas para reter e desenvolver essas pessoas, bem como criar um ambiente sem hostilidade e com empatia.

“É preciso que as empresas entendam realmente o que é diversidade e a real importância disso para os seus funcionários, consumidores e para a sociedade como um todo”, alerta Carine Roos, cofundadora do Programa ELAS, escola de liderança e desenvolvimento para mulheres.

O programa já atendeu mais de 400 profissionais, incluindo mulheres que buscam melhorar seus comportamentos (por exemplo, passando a pedir aumento e não se deixando intimidar em reuniões), e empresas que não entendiam o porquê de perderem talentos femininos. “Muitas vezes, o preconceito das pessoas é inconsciente e há uma tendência de se promover pessoas vistas como iguais por líderes”, diz Carine.

Entre as que já recorreram ao treinamento e conseguiram melhora de retenção e resultados está a Accenture. Com dificuldade em reter as profissionais, a empresa não sabia em que parte do processo havia gargalos. “Apontamos onde, indicamos como melhorar, treinamos os profissionais e demonstramos como a melhora realmente ocorreu pouco tempo depois”.

O mercado de tecnologia, por sinal, é um dos que mais se esforça para melhorar no aspecto diversidade, até por questões práticas: além de faltarem bons profissionais no mercado, a criação de algoritmos de inteligência artificial demanda pensamentos e estruturas físicas diferentes para operar corretamente. Segundo Julie Woods-Moss, presidente da indiana Tata Communications, “a inteligência artificial precisa de um volume maciço de dados e isso demanda muito conteúdo humano, se não nossos preconceitos serão importados na IA.”

“É preciso que as empresas entendam realmente o que é diversidade e a real importância disso para os seus funcionários, consumidores e para a sociedade como um todo”

Carine Roos, cofundadora do Programa ELAS, escola de liderança e desenvolvimento para mulheres

A dificuldade de se contratar profissionais diversos começa logo no processo de recrutamento e seleção. E o desafio não está relacionado à competência dos candidatos para as vagas, mas sim com a maneira inconsciente de se exigir mais de mulheres e negros, por exemplo, do que de candidatos que sejam homens brancos heterossexuais. Na hora da contratação, diplomas de tecnólogos são aceitos para vagas se o candidato for um homem branco heterossexual. Mas no caso de mulheres, negros e LGBTs, a cobrança por referências acadêmicas de alto nível e larga experiência aparece mesmo em cargos que não necessitam desse perfil.

Porém, metas globais de equidade de gênero nas empresas levam muitas a adotarem, cada vez mais, iniciativas que diminuam a desigualdade de presença entre os sexos. Na multinacional Serasa Experian a preocupação começa na hora de formar equipes.

O processo seletivo no Brasil inclui a obrigatoriedade de mulheres em 100% das fases finais dos processos de recrutamento empresa. Também é preciso que metade dos candidatados sejam negros. As mesmas regras são adotadas em todos os níveis hierárquicos, desde o processo de estágio aos cargos de direção.

Essas e outras várias iniciativas, que vão de comprometimento com ações globais até treinamentos e semana de conscientização, contribuíram para que hoje a companhia contasse com um quadro de funcionários diversos. Do total de contratados no Brasil, 48% são mulheres. O alto porcentual se repete nos cargos de gestão: na gerência, são 47% mulheres; e na diretoria, 38%.

Na opinião do professor de marketing e vendas da FGV – Fundação Getúlio Vargas, Cláudio Tomanini, a busca pela diversidade e o respeito ao diferente são parte do movimento de ruptura pelo qual o mundo passa hoje. E a tecnologia tem muito a ver com isso, motivo pelo qual o setor precisa mudar, e rápido.

Dentro deste contexto, é preciso que os profissionais de TI assumam a responsabilidade de parar de pensar na solução em si para começar a pensar nas pessoas que irão utiliza-las. “Não há como atingir o resultado esperado pelo cliente se você não se colocar no lugar do usuário e entender para quem e por que você está desenvolvendo uma solução, um produto”. Quando se fala em diversidade, uma das companhias mais lembradas é a rede de sorveterias Ben & Jerry’s. Desde a sua fundação, na década de 80, os mesmos benefícios empregatícios eram ofertados aos cônjuges dos funcionários, independentemente de estarem em uniões homoafetivas. A operação brasileira emprega grupos minorizados em todos os cargos de trabalho. No quadro geral, atualmente, 61% dos funcionários são negros, 55% são mulheres, 25% são lésbicas, gays ou bissexuais e 4% são pessoas transexuais.

“Entendemos desde sempre que, com uma equipe diversa, geramos mais discussões positivas e temos pontos de vistas diferentes, que contribuem com o negócio e dialogam de forma mais clara e verdadeira com uma sociedade tão plural”, comenta Rodrigo Santini, Country Brand Leader de Ben & Jerry’s no Brasil.

A inteligência artificial precisa de um volume maciço de dados e isso demanda muito conteúdo humano, se não nossos preconceitos serão importados na IA.

Julie Woods-Moss, presidente da indiana Tata Communications