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No coração da tecnologia

Inteligência Artificial, robótica e machine learning revolucionam a prática da medicina em benefício da vida

Solange Calvo, especial para LogicalisNow

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“A tecnologia moderniza processos e dá mais tempo aos médicos, ajudando a substituir o operacional e a dar lugar à inteligência emocional em um atendimento mais humanizado”

Luzia Sarno, diretora corporativa de TI do Grupo Fleury

95%

de acurácia ao identificar um raio-X com AI, garante o Fleury

As transformações provocadas pelo uso de tecnologias vêm impactando positivamente a precisão de diagnósticos, tratamentos preventivos, telemedicina, monitoramento no tratamento de doenças, ganho de produtividade e diagnósticos a distância. É inovação beneficiando a saúde do setor.

A importância da era digital no segmento começa na digitalização de processos para dar esteira à adoção de sistemas inteligentes, que geram menos atrasos na realização de exames e consultas, com redução de custos, otimizando o tempo dos profissionais.

Um dos principais passos nesse caminho da digitalização é a adoção do Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP). Entre os benefícios proporcionados, estão mais segurança, agilidade e qualidade no atendimento ao paciente, integração e compartilhamento de informações clínicas por todos os setores do hospital, além da gestão de relatórios e indicadores clínico-assistenciais.

Para Bruno Capobianchi, coordenador de TI do Hospital do GRAACC, não há dúvida de que a tecnologia é hoje um grande parceiro para um atendimento mais rápido, mais seguro e com maior qualidade. “A partir do momento em que os processos hospitalares são digitalizados, é possível trafegar essa informação com maior agilidade, desde a entrada do paciente em seu cadastro até uma apresentação automatizada dos resultados de exames laboratoriais ou de imagem diretamente em seu prontuário”, diz.

Do ponto de vista operacional, ele destaca que é possível observar alguns pontos que garantem alertas para alergias, interações medicamentosas, além de permitir a infusão correta do medicamento e uma auditoria completa de todas as ações dos profissionais envolvidos com o processo. O executivo de TI aponta ainda uma melhoria contínua nos processos por meio de indicadores e uma maior integração com diversos dispositivos para obter mais informações e agilizar tomadas de decisão. “A tecnologia possibilita maior automatização e mais segurança em todo o processo hospitalar, oferecendo aos médicos informações seguras para decisões, além de redução de custos e erros.”

“A IoT pode proporcionar ganho de tempo significativo para médicos e enfermeiros, que passarão a dedicar mais atenção ao paciente”

Bruno Capobianchi, coordenador de TI do Hospital do GRAACC

Capobianchi adianta que, no momento, o Hospital está em fase de implementação de um novo sistema de gestão hospitalar. O projeto teve início em fevereiro de 2019, com previsão de entrega para setembro de 2019. Todos os processos serão digitais com maior sinergia entre as áreas clínicas e administrativas, maior segurança ao paciente e disponibilidade da informação para uma melhor análise assistencial ou administrativa. “Estamos sempre buscando a excelência e segurança em nosso atendimento”, afirma o executivo, que traz a responsabilidade de apoiar uma instituição social sem fins lucrativos que nasceu em 1991 para tratar crianças e adolescentes com câncer e atende, por ano, mais de 3,5 mil pacientes.

Pietro Delai, Latin America Cloud & Software Program Manager da IDC, avalia que, em solo nacional, ainda existem muitos hospitais em nível básico de maturidade tecnológica. “Há desde os que não têm o mínimo, nem mesmo para controle de estoque, até os que já usam tecnologias emergentes como Inteligência Artificial e machine learning, com avanços mais expressivos em laboratórios. Mas há muito a ser feito e a evoluir em toda a cadeia de integrantes da área de saúde”, avisa.

Independentemente do cenário tecnológico, Carlos Reis, consultor especializado em saúde da Logicalis, alerta para a necessidade premente de colocar o paciente no centro da estratégia dos atores do setor de saúde. “Não é uma movimentação simples. É a evolução da ‘indústria da doença’, que é o modelo atual, para a ‘indústria da saúde’, focada na prevenção.”

Na rede de laboratórios Fleury, o foco já está na melhor experiência do paciente, com o diferencial da humanização do atendimento. E a tecnologia é a principal aliada nessa estratégia. Luzia Sarno, diretora corporativa de TI do Grupo Fleury, revela que com o uso de inovações tecnológicas, muito além de ganho de tempo para os médicos aprimorarem o seu conhecimento, eles conseguem se aproximar mais dos pacientes, conhecê-los melhor e isso torna o tratamento mais humano. “Ao conhecer o estilo de vida do paciente, onde mora, entre outras informações pertinentes, o médico pode aprimorar o diagnóstico e o tratamento. A tecnologia moderniza processos e dá esse tempo a eles, ajudando a humanizar todos os profissionais. Ela vai substituir o operacional e dar lugar à inteligência emocional”, destaca.

Robô Da Vinci XI: funciona a partir de um console, por meio do qual o médico controla o procedimento e tem a imagem da região que será operada em 3D

Para proporcionar uma experiência cada vez mais satisfatória aos pacientes, o Fleury trabalha com o conceito de grupos multidisciplinares. A área de experiência do usuário (UX) serve as áreas de negócio. “Sabemos que aplicar inovação em qualquer setor é fundamental, mas na área de saúde é diferente, porque afeta a vida de todos nós. Então qual é o diferencial mais importante? É ser tratado de maneira personalizada e com qualidade”, diz. E acrescenta: “Estamos alinhados também com a nova geração que se preocupa com o propósito, assim como o Fleury. Temos ainda o desafio de atrair e reter essa nova geração e a inovação é vital nessa jornada”.

“É a evolução da ‘indústria da doença’, que é o modelo tradicional, para a ‘indústria da saúde’, focada na prevenção.”
Carlos Reis, consultor da área de Saúde da Logicalis

Inovação a serviço da vida

Em franco crescimento tecnológico, o Grupo Fleury lançou no início deste ano o Fleury Lab, um programa de inovação e transformação digital que engloba criação de produtos, serviços, pesquisa e parceria com startups e empresas. Ele conta com três frentes: Fleury Lab Digital, Fleury Lab Startups e Fleury Lab Virtual.

A iniciativa gera modelos diferenciados de atendimento digital a clientes e médicos, aceleração e evolução da plataforma Fleury Genômica (e-commerce de exames genéticos), assessoria médica digital e ampliada com auxílio de tecnologias como chatbots, incluindo aplicativos de resultados e websites para todas as marcas do Grupo Fleury.

Além disso, promove a construção de inteligência artificial para detectar anormalidades em tomografias e alertar sobre a necessidade de priorização do tratamento. Ao usar AI, o Fleury garante 95% de acurácia ao identificar, por exemplo, um raio-X para saber se o paciente tem ou não pneumonia. Em um Teste de Origem Tumoral, por exemplo, é possível identificar as possibilidades de origem do câncer e atacar apenas essas áreas. Isso evita usar medicações agressivas de maneira aleatória e debilitar o paciente, acelerando o tratamento.

Parte determinante do planejamento estratégico 2018-2020, o Projeto Robótica chegou para somar ao arsenal de inovações da Rede São Camilo. O robô Da Vinci XI, adotado pelo hospital, funciona a partir de um console, por meio do qual o médico controla o procedimento e tem a imagem da região que será operada em 3D, além da mesa específica acoplada no equipamento, que facilita o movimento e diminui o tempo cirúrgico. A tecnologia é capaz de trazer detalhes que não seriam percebidos a olho nu. Além disso, com o robô, é possível obter uma rotação de 90°, mais ampla que o punho humano, mostrando riqueza de detalhes que melhora o desempenho da operação.

De acordo com Caroline Oliveira Novoa, gerente-corporativa de engenharia clínica da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, o robô vai atuar principalmente na parte de urologia, mas também em cirurgia geral e ginecologia. “A expectativa é que, além da segurança assistencial e experiência do paciente, que são nossos principais objetivos, o projeto irá colocar a Rede São Camilo em destaque no mercado e atrair novos médicos.”

Caroline destaca que, para o paciente, essa evolução tecnológica significa uma cirurgia mais precisa, menos invasiva, com menor sangramento e recuperação mais rápida, resultando em um menor tempo de internação. Para o cirurgião, ela proporciona maior precisão em áreas de difícil acesso, melhor visualização devido às imagens de alta definição e melhor ergonomia, além da satisfação do paciente.

Todos os novos cirurgiões credenciados para operar No São Camilo passarão por treinamento de, em média, 50 a 80 horas no simulador, e certificação de 6 horas. No momento, 11 cirurgiões estão em processo de certificação, além dos que já atuavam no São Camilo e já possuem o certificado.

No São Camilo, prossegue Caroline, a tecnologia está presente em cada processo, desde o agendamento da consulta, recebimento de exames via internet, prontuário eletrônico, receituários. “Tudo isso resulta em uma enorme base de dados que gera informação. Informação é a palavra-chave. Não só para os médicos, como também para o paciente, que também mudou seu comportamento com o advento da tecnologia e hoje é muito mais participativo em relação à sua saúde e ao tratamento”, diz.

A Sala de Simulação Realística é uma iniciativa que tem proporcionado ganhos importantes no dia a dia do Hospital do GRAAC. Considerada um método efetivo e inovador, que amplia as relações entre a teoria e a prática em ambiente seguro, oferecendo melhores oportunidades de aprendizagem, ela contribui com a formação do profissional para o desenvolvimento de habilidades e competências necessárias em um ambiente controlado e protegido. “O espaço também permite erros e crescimento profissional, sem arriscar a segurança do paciente. Esse foi o nosso propósito essencial ao implementar a Sala de Simulação Realística no GRAACC. Outro benefício é a efetividade do aprendizado, pois possibilita o uso de estratégias que permitem uma retenção maior da informação, saltando de 5% para 90% com o uso da sala.

Entre as novas tecnologias que vislumbra adotar, Capobianchi destaca a internet das coisas. “Ela possibilita que as informações obtidas pelos monitores (frequência cardíaca, pressão arterial, saturação de oxigênio, entre outras), que hoje precisam ser transcritas manualmente para o prontuário eletrônico, possam ser automaticamente inseridas no prontuário.” Além disso, a IoT pode proporcionar ganho de tempo significativo para médicos e enfermeiros, que passarão a dedicar mais atenção ao paciente, afirma o executivo. “Automatizar o que deve ser automatizado e aproveitar a tecnologia a favor do atendimento humanizado é parte da essência do Hospital do GRAACC.”